Audiência Pública – 03/05/2017

Educação Especial

#EducaçãoEspecial

“Inclusão sem qualidade é exclusão”, protestava uma das muitas faixas erguidas nas galerias do plenário da Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira durante audiência pública sobre educação especial. O encontro foi o segundo de uma série de debates programados pela Comissão de Educação sobre o Plano Municipal de Educação (PME), que irá orientar o ensino no município do Rio de Janeiro pelos próximos 10 anos. “Trinta e oito pessoas, além da mesa, deram suas opiniões sobre o tema. Todas serão levadas em consideração no momento da votação”, disse o vereador Tarcísio Motta, que presidiu a audiência e é membro da Comissão de Educação.

A mesa foi composta pelos também vereadores Professor Rogério Rocal, membro da Comissão de Educação, e Célio Luparelli, membro da Comissão Coordenadora do PME, pela professora Mônica Pereira dos Santos, da Faculdade de Educação da Uerj, pela defensora pública Rachel Gonçalves Silva e pela diretora do Instituto Helena Antipoff, Kátia Nunes, que estava representando a Secretaria Municipal de Educação.

A necessidade de agentes de apoio, de salas multifuncionais voltadas para este público e da formação de professores em educação especial esteve presente em praticamente todos os discursos. Para Rachel, “a verdadeira inclusão remete a acolhimento”: “O que adianta levar uma criança para a escola se ela não é bem recebida?”, provocou a defensora. A defensora expôs sua preocupação com o fato de o texto não contemplar as crianças de zero a três anos. Com relação às estratégias propostas pelo PME, outra apreensão: a orientação para que alunos maiores de 17 anos com deficiência que estejam em classes especiais sejam remanejados para o Programa de Jovens e Adultos (Peja).

Maria Clara Rodrigues, do Movimento Inclusão Legal, considera esse remanejamento uma segregação dos alunos deficientes: “Educação inclusiva requer atenção para as especificidades de cada caso. Tirá-los de suas escolas limita o processo educativo, já que existe a necessidade de se pertencer a um grupo. A autoestima desses alunos sofreria grande impacto”.

Com relação à formação continuada, Mônica ressaltou a importância de haver investimentos: “Os professores precisam liberados para sua formação. Vejo muitos que querem fazer cursos e não conseguem porque não são liberados pelos diretores”, disse a professora.

A existência de estagiários no lugar de agentes de apoio na rede municipal foi combatida pelos pais de alunos, assim como a carência de mediadores. Segundo a professora Alessandra Brum, há mais de 15 mil alunos com deficiência nas escolas da cidade. “Mais de 7 mil precisam de mediadores”, reivindicou a professora.

Kátia Nunes, que estava representando a Secretaria Municipal de Educação, ponderou: “Posso dizer que está tudo certo? Não está. Mas dizer que há muitas coisas erradas, isso não vamos aceitar porque houve muitos avanços”, disse Kátia Nunes, ressaltando a formatura continuada de 22 mil professores em 2016.

Fala, Tarcísio!

Audiência pública sobre educação especial

#EducaçãoEspecial#AoVivoMais de 40 pessoas ouvidas na audiência pública sobre educação especial, que faz parte dos debates a respeito do Plano Municipal de Educação. Próxima conversa vai ser dia 12, às 14h, sobre a valorização dos profissionais, incluindo aqueles da educação especial.

Publicado por Tarcísio Motta em Quarta, 3 de maio de 2017